Publicada em 16/3/2008

Empregos
Meio ambiente e qualidade de vida influenciam as profissões do futuro

Ocupações ligadas ao agronegócio também serão promissoras devido às previsões de crescimento da população mundial

Vilma Gasques
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
vilma@rac.com.br

Quais são as profissões do futuro num cenário de mudanças contínua s? A pergunta é pertinente, uma vez que já não há mais futuro como antigamente e as competências do profissional são sempre para o futuro imediato, ou seja, de curto prazo. É neste contexto que os jovens procuram alternativas viáveis de emprego. Algumas alternativas se colocam como melhores para um cenário de médio e longo prazo. O presidente do Centro de Integração Empresa Escola (Ciee), Luiz Gonzaga Bertelli, escreve em seu livro sobre as profissões do futuro e mercado de trabalho, o que afeta, notadamente, a população jovem.

Bertelli comenta que as estatísticas disponíveis indicam que hoje, no Brasil e no mundo, os jovens são o segmento mais afetado pelo desemprego, que chega a atingir cerca de 40% das pessoas com idade entre 15 e 25 anos.

"Há segmentos como o de têxteis, de transportes e automobilístico que buscam profissionais, mas encontram dificuldades em conseguir pessoas capacitadas. Isso se deve às mudanças aceleradas no próprio mercado de trabalho", comenta, explicando que essas mudanças são provocadas pelos avanços tecnológicos que poupam mão-de-obra, pela globalização e, em muitos países como o Brasil, pelas deficiências na educação e pelo deslocamento entre as grades curriculares e a realidade do mercado de trabalho.

"Neste último ponto, especialmente, o estágio surge como uma das mais eficientes ferramentas para facilitar a inclusão do jovem no mercado de trabalho, pois complementa com a prática o aprendizado acadêmico, desenvolve posturas e competências requeridas no ambiente corporativo e funciona como a muito valorizada experiência prévia para os candidatos ao primeiro emprego."

Já para o futuro, Bertelli faz ressalvas sobre quais profissões devem ser as escolhidas pelos jovens. "Ao escolher uma carreira, o jovem não deve considerar apenas o retorno financeiro, até porque ele só será bem-sucedido se fizer um trabalho que gosta e para o qual tem aptidões. Quanto a profissões promissoras, análises de especialistas dão algumas pistas, que devem ser avaliadas criteriosamente pelos jovens", reforça.

Mas ele dá dicas, embasado em previsões de crescimento da população mundial que indicam que profissões ligadas ao agronegócio deverão ter forte impulso, pois serão beneficiadas pelo aumento da demanda de alimentos, roupas e até biocombustíveis, todos produzidos pela agricultura ou tendo como matéria-prima insumos vegetais. "As profissões verdes, ligadas ao meio ambiente, também apresentam perspectivas promissoras, diante dos riscos climáticos. A mesma coisa acontece com as profissões ligadas à qualidade de vida na terceira idade, beneficiadas pelo aumento da expectativa de vida. E assim por diante."

Qualificação

Para o presidente do Ciee, apesar do grande volume de vagas de emprego criadas nos últimos tempos, muitos não conseguem uma colocação porque um dos grandes obstáculos à conquista do primeiro emprego é justamente a falta de qualificação do profissional, ou seja, o que acontece é que o número de postos de trabalho é cada vez maior, mas são vagas que exigem um profissional com bom nível de escolaridade; com conhecimentos que vão além da área específica de atuação; um segundo idioma; domínio de informática; e, principalmente, competências e habilidades atitudinais, caso da aptidão para trabalhar em equipe, iniciativa e comprometimento. "E a maioria dos candidatos não atende a esse perfil."

Bertelli refere-se ao fato de que o profissional precisa ser versátil. Ele não deve se preocupar apenas em ser bom exclusivamente na atividade que atua. Ao contrário, deverá ter bons conhecimentos das áreas afins, do contexto em que a empresa se situa", reforça, lembrando que isso é recomendável por várias razões. Entre essas, destaca-se, por exemplo, a questão de que raramente a solução de um problema depende apenas de uma área de conhecimento. "Ao contrário, dada a complexidade atual das atividades produtivas, a melhor solução dependerá de um conjunto de conhecimentos. Quanto a sair de uma profissão para outra, aqui vale lembrar que muitos dos mais bem-sucedidos altos executivos da área financeira são engenheiros de formação", lembra

O escritor Bertelli afirma também que é bom verificar se a profissão escolhida não está sob ameaça de extinção, atropelada pelos avanços da tecnologia, como aconteceu no passado com o datilógrafo, por exemplo, uma profissão que desapareceu.

Hoje Bertelli aposta que as profissões mais demandadas estão nas áreas de administração de empresas, engenharias em geral, Direito, pedagogia, turismo, atividades ligadas à beleza, qualidade de vida e saúde.

Nesse sentido, cabe aos cursos superiores prepararem os jovens para esse mercado, extremamente exigente, segundo o presidente do Ciee. "É preciso mudar a tradição das escolas que somente informam e não formam. Há um grande abismo entre o mundo do fazer e o do saber e as faculdades precisam integrar a teoria com o operacional, na forma de treinamentos, estágios, workshops e seminários, a fim de eliminar esse abismo", salienta.