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Empregos
Meio ambiente e
qualidade de vida influenciam as profissões do futuro
Ocupações ligadas ao agronegócio também serão promissoras devido às
previsões de crescimento da população mundial
Vilma Gasques
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
vilma@rac.com.br
Quais são as profissões do futuro num cenário de mudanças contínua
s? A pergunta é pertinente, uma vez que já não há mais futuro como
antigamente e as competências do profissional são sempre para o futuro
imediato, ou seja, de curto prazo. É neste contexto que os jovens
procuram alternativas viáveis de emprego. Algumas alternativas se
colocam como melhores para um cenário de médio e longo prazo. O
presidente do Centro de Integração Empresa Escola (Ciee), Luiz Gonzaga
Bertelli, escreve em seu livro sobre as profissões do futuro e mercado
de trabalho, o que afeta, notadamente, a população jovem.
Bertelli comenta que as estatísticas disponíveis indicam que hoje, no
Brasil e no mundo, os jovens são o segmento mais afetado pelo
desemprego, que chega a atingir cerca de 40% das pessoas com idade entre
15 e 25 anos.
"Há segmentos como o de têxteis, de transportes e automobilístico
que buscam profissionais, mas encontram dificuldades em conseguir
pessoas capacitadas. Isso se deve às mudanças aceleradas no próprio
mercado de trabalho", comenta, explicando que essas mudanças são
provocadas pelos avanços tecnológicos que poupam mão-de-obra, pela
globalização e, em muitos países como o Brasil, pelas deficiências
na educação e pelo deslocamento entre as grades curriculares e a
realidade do mercado de trabalho.
"Neste último ponto, especialmente, o estágio surge como uma das
mais eficientes ferramentas para facilitar a inclusão do jovem no
mercado de trabalho, pois complementa com a prática o aprendizado acadêmico,
desenvolve posturas e competências requeridas no ambiente corporativo e
funciona como a muito valorizada experiência prévia para os candidatos
ao primeiro emprego."
Já para o futuro, Bertelli faz ressalvas sobre quais profissões devem
ser as escolhidas pelos jovens. "Ao escolher uma carreira, o jovem
não deve considerar apenas o retorno financeiro, até porque ele só
será bem-sucedido se fizer um trabalho que gosta e para o qual tem
aptidões. Quanto a profissões promissoras, análises de especialistas
dão algumas pistas, que devem ser avaliadas criteriosamente pelos
jovens", reforça.
Mas ele dá dicas, embasado em previsões de crescimento da população
mundial que indicam que profissões ligadas ao agronegócio deverão ter
forte impulso, pois serão beneficiadas pelo aumento da demanda de
alimentos, roupas e até biocombustíveis, todos produzidos pela
agricultura ou tendo como matéria-prima insumos vegetais. "As
profissões verdes, ligadas ao meio ambiente, também apresentam
perspectivas promissoras, diante dos riscos climáticos. A mesma coisa
acontece com as profissões ligadas à qualidade de vida na terceira
idade, beneficiadas pelo aumento da expectativa de vida. E assim por
diante."
Qualificação
Para o presidente do Ciee, apesar do
grande volume de vagas de emprego criadas nos últimos tempos, muitos não
conseguem uma colocação porque um dos grandes obstáculos à conquista
do primeiro emprego é justamente a falta de qualificação do
profissional, ou seja, o que acontece é que o número de postos de
trabalho é cada vez maior, mas são vagas que exigem um profissional
com bom nível de escolaridade; com conhecimentos que vão além da área
específica de atuação; um segundo idioma; domínio de informática;
e, principalmente, competências e habilidades atitudinais, caso da
aptidão para trabalhar em equipe, iniciativa e comprometimento. "E
a maioria dos candidatos não atende a esse perfil."
Bertelli refere-se ao fato de que o profissional precisa ser versátil.
Ele não deve se preocupar apenas em ser bom exclusivamente na atividade
que atua. Ao contrário, deverá ter bons conhecimentos das áreas
afins, do contexto em que a empresa se situa", reforça, lembrando
que isso é recomendável por várias razões. Entre essas, destaca-se,
por exemplo, a questão de que raramente a solução de um problema
depende apenas de uma área de conhecimento. "Ao contrário, dada a
complexidade atual das atividades produtivas, a melhor solução
dependerá de um conjunto de conhecimentos. Quanto a sair de uma profissão
para outra, aqui vale lembrar que muitos dos mais bem-sucedidos altos
executivos da área financeira são engenheiros de formação",
lembra
O escritor Bertelli afirma também que é bom verificar se a profissão
escolhida não está sob ameaça de extinção, atropelada pelos avanços
da tecnologia, como aconteceu no passado com o datilógrafo, por
exemplo, uma profissão que desapareceu.
Hoje Bertelli aposta que as profissões mais demandadas estão nas áreas
de administração de empresas, engenharias em geral, Direito,
pedagogia, turismo, atividades ligadas à beleza, qualidade de vida e saúde.
Nesse sentido, cabe aos cursos superiores prepararem os jovens para esse
mercado, extremamente exigente, segundo o presidente do Ciee. "É
preciso mudar a tradição das escolas que somente informam e não
formam. Há um grande abismo entre o mundo do fazer e o do saber e as
faculdades precisam integrar a teoria com o operacional, na forma de
treinamentos, estágios, workshops e seminários, a fim de eliminar esse
abismo", salienta. |