Terça-feira, 08 de abril de 2008

Estágio em alta

Boa maneira de começar / Apesar das poucas vagas em todo o País, região comemora

Érica Araium / erica.nogueira@rac.com.br
Da Agência Anhangüera
As oportunidades de estágio para os cerca de 4,68 milhões de alunos matriculados em instituições de ensino superior de todo o País são escassas, em decorrência, principalmente, do baixo número de vagas ofertadas pelas empresas (aproximadamente 475 mil). Segundo levantamento da Associação Brasileira de Estágios (Abres) realizada este ano com base no Censo Escolar 2006 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), somente 15,3% dos universitários estagia durante a graduação.

Em Campinas e região, porém, a realidade é mais animadora. De acordo com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) do município, hoje, há mais de 8 mil estagiários contratados em 1.550 empresas de 53 cidades da região. Além disso, há grande demanda em carreiras como administração, engenharias, arquitetura e urbanismo, Direito, educação física, marketing, ciências contábeis, informática e engenharia da computação.

Esse panorama é ratificado pela gerente de RH do Grupo Foco Fabíola Lencastre. “Em linhas qualitativas, o que temos observado é a valorização desse tipo mão-de-obra por parte das empresas, principalmente por conta das vagas estratégicas a serem ocupadas e da possibilidade de se moldar o estagiário de acordo com as necessidades da empresa”, pondera.

PRECOCE. É o caso do aluno do primeiro ano da faculdade de Sistemas de Informação da PUC-Campinas Esdras Padial. Graças ao superaquecimento do mercado regional do setor de análise de sistemas, ele conseguiu um estágio antes mesmo de iniciar o período letivo. “Soube que a IBM estava selecionando estagiários e decidi me inscrever no site da empresa. Como tenho inglês e espanhol fluentes, garanti uma oportunidade logo depois de fazer a matrícula na faculdade”, conta o estudante, que receberá R$ 600,00 de bolsa-auxílio da empresa durante os três primeiros meses de estágio, e sabe que pode ser contratado tão logo conclua esta etapa.

De acordo com o diretor da faculdade de Sistemas da Informação José Estevão Picarelli, mais de 44% dos formandos de 2007 tinham garantido o emprego antes de receberem o diploma. “A grande vantagem do estágio é poder aliar o que vou aprender em sala de aula à prática, e justamente atuar desde já na área em que pretendo trabalhar”, comemora Padial.

Em algumas carreiras é mais difícil

 Mas, se em algumas carreiras as possibilidades de estágio são altas, em outras as vagas parecem sumir diante dos olhos. Nesse caso, é preciso um pouco mais de sorte e espírito empreendedor. “Quem é da área da saúde sabe que é mais difícil conseguir estágio, ainda mais remunerado. Do segundo ano da faculdade em diante, fiz estágio voluntário em uma clínica particular e, também na Sobrapar. Com certeza, essas experiências contam muito. Então é preciso correr atrás das empresas”, afirma a aluna do último ano da faculdade de Fonoaudiologia da PUC-Campinas Beatriz Leonardi.

Por isso, a gerente de RH Fabíola Lencastre adverte que os universitários devem entrar nos sites das empresas que lhes interessam e cadastrar o currículo, além de contar com a intermediação de consultorias de RH e centros de integração entre as empresas e a universidade. “Deve-se ter em mente que a grande maioria dos processos de recrutamento e seleção ocorre virtualmente”, diz.

“O que fazemos é selecionar os candidatos cadastrados em nosso banco de dados e encaminhá-los para o processo de seleção. Quem dá a palavra final é sempre a empresa que abre a vaga”, complementa Rosângela Pereira, supervisora do CIEE Campinas.

Regras

Há critérios rígidos para que o universitário possa ser contratado por uma empresa, uma vez que as regras trabalhistas em vigor visam distinguir trabalhadores de estagiários. O único encargo que as empresas são obrigadas a pagar ao estudante regularmente matriculado em instituição de ensino superior reconhecida pelo Ministério da Educação é o seguro de acidentes pessoais. Mas, a fim de assegurar algum benefício além do aprendizado, os centros de integração empresa-escola intervêm.

“Além de negociarmos o pagamento de bolsas-auxílio e benefícios como vale-transporte e refeição com as empresas, estipulamos que os estagiários nunca ultrapassem as 40 horas semanais, nem que o período de contratação exceda dois anos. Afinal a experiência de estágio não deve interferir no horário e rendimento escolar”, explica Rosângela Pereira, supervisora do CIEE.