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A educação sexual pede espaço
Profª. Drª
Maria Alves de Toledo Bruns
Estamos perplexos diante do resultado da pesquisa da Unesco
sobre juventude e sexualidade, a qual desvela que uma em cada
dez adolescente engravida antes dos 15 anos.Diante dessa
realidade quais seriam as causa desencadeadoras de tal
ocorrência? Estamos perplexos diante do resultado da pesquisa
da Unesco sobre juventude e sexualidade, a qual desvela que
uma em cada dez adolescente engravida antes dos 15 anos.
Diante dessa realidade quais seriam as causa desencadeadoras
de tal ocorrência? Falta de informação correta sobre o uso de
métodos contraceptivos? Dificuldade e ou ausência de diálogo
dos pais com os filhos sobre sexualidade? Crença das
adolescentes de que com elas a gravidez não ocorrerá?
Influência da erotização da mídia? Desejo da adolescente de
ser considerada mulher sexualmente ativa? Ausência de uma
educação sexual compromissada da família, da escola e dos
meios de comunicação?
Pesquisas realizadas pelo Grupo Sexualidade&Vida, possibilitam
que se afirme que tanto a gravidez como a paternidade na
adolescência devem-se a existência de todos esses fatores.
Todavia, centralizo minhas reflexões sobre o diálogo que a
família, a escola e os meios de comunicação vêm (ou não vêm)
proporcionando aos adolescentes.
Dessa perspectiva situo a família e a escola como espaços para
o diálogo.Ressalvando as exceções muitos pais preferem ignorar
as manifestações da sexualidade vivida pelos filhos (as),
acreditando que esses já aprenderam o bastante na escola sobre
métodos contraceptivos. Outros ainda acham que se conversarem
sobre “esses assuntos” com os filhos (as), podem estar
incentivando-os ao inicio da atividade sexual, e por fim, há
uma grande parcela de pais que se sentem despreparados para
lidar com as questões pertinentes a sexualidade.
No que diz respeito à escola, essa, em geral essa promove
palestras sobre DST e AIDS as quais por não terem
continuidade, uma vez que o palestrante vai embora, deixam
muitas dúvidas não respondidas. Em geral o professor não se
sente preparado para estabelecer um diálogo sobre os
interesses, dúvidas e curiosidades do adolescente.Desse modo,
a escola não promove espaço para a reflexão e o diálogo tão
necessários na criação de vínculos afetivos e emocionais entre
educador e aluno.
Nesse contexto, os meios de comunicação representam importante
papel na divulgação de assuntos ligados a sexualidade. Pode-se
sem dificuldade, detectar uma superestimulação precoce da
sexualidade por meio de programas em que há uma excessiva
exposição do corpo, pela veiculação de filmes e cenas
erótico-pornográficas e também pela banalização da
sexualidade. As novelas tendem a valorizar as relações
idealizadas, nas quais os príncipes e princesas de outrora são
substituídos pela alma-gêmea. Nessa busca pelo parceiro ideal,
os relacionamentos reais perdem o valor ficando
insatisfatórios, vazios destituídos de compromissos e de
vínculos afetivos.
Urge dizer que essa caótica realidade poderia ser amenizada se
houvesse uma política de Educação Sexual contínua voltada para
a formação de profissionais da educação, da saúde e áreas
afins, uma vez que todos têm profunda influência na formação
dos adolescentes.
*Dra. Maria Alves de Toledo Bruns é líder do Grupo de pesquisa
Sexualidade &Vida e co-autora do livro "Educação Sexual pede
Espaço: Novos horizontes para a práxis pedagógica", editora
Omega.
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