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A criatividade é o limite
Ecologicamente sustentável, bonito e versátil, laminado vegetal baseado no látex tem várias aplicações na indústria

 

Moda que se preze é aquela que inova, que apresenta novas tendências, que oferece algo bonito, novo e de qualidade. E se isso vier na esteira do ecologicamente sustentável então o pacote está completo. Essa é a premissa de um projeto que tem feito cada vez mais adeptos entre estilistas e designers. Trata-se do chamado laminado vegetal, um produto que tem sua origem nos seringais e que substitui o couro nas mais diversas situações - a criatividade é o limite.

 

O laminado vegetal é um revestimento de alta qualidade alternativo ao couro animal. Além de bem acabado, está dentro das expectativas dos ecologistas e do mercado. "É sem dúvida um produto revolucionário que possui diversas vantagens em variadas aplicações". Quem faz a afirmação é o empresário Jaime Marques Rodrigues, diretor da Ecológica Indústria e Comércio de Produtos de Látex Ltda., empresa paulista que fabrica e fornece o produto.

 

A marca de roupas Ichigo, cujo lançamento da primeira coleção foi feito no início de julho na cidade de Novo Hamburgo (RS), usou e abusou do laminado vegetal para a criação de suas peças. A estilista Paula Escher, a partir do tema proposto por uma faculdade para o desfile do final de curso de Design de Moda e Tecnologia, desenvolveu roupas baseadas na temática "fé". "A maioria dos materiais utilizados são orgânicos e de baixo impacto ambiental pois a minha fé é em uma moda sem crueldade aos animais, é na reciprocidade das decisões", salientou.

 

E onde entra o apelo ecológico? Criada em 2006, na cidade de Magda, a 500 km da capital paulista, a Ecológica está inserida em uma das maiores áreas de plantio de seringueira do Estado de São Paulo. E é da seringueira que vem a matéria-prima utilizada na manta vegetal, o látex. "Comunidades extrativistas da Amazônia trabalham há anos com o látex. A Ecológica trouxe a idéia para a fábrica e aprimorou o produto para produção em escala industrial", explica Jaime. Segundo ele as vantagens começam já na linha de produção. "O tecido em látex é um produto absolutamente natural, produzida a partir de matéria-prima vegetal renovável e isenta de resíduos em todo o processo de produção", diz. “Há também uma interface social, já que a produção engloba a participação de comunidades extrativistas”, completa.

 

Mas não é só no ramo da moda - bolsas, sapatos e casacos - que o produto faz sucesso. Ele também marca presença na indústria do esporte com bolas de futebol, voleiball, chuteiras e tênis. Na indústria moveleira, por exemplo, os revestimentos com o tecido ultrapassam uma tendência e devem seguir um padrão de qualidade para produtos ecologicamente corretos, como já aconteceu com a madeira certificada. Pensando na ecologia a Fiat apresentou á imprensa recentemente o Uno Ecology, um carro-conceito preocupado com o meio ambiente. Revestimentos de câmbio, volante e freio de estacionamento foram feitos com o laminado vegetal.

 

O começo

A inspiração do produto veio da tradição artesanal desenvolvida pelos seringueiros do Acre e que já tem mais de 130 anos. Essa tradição é mantida até hoje em várias reservas florestais localizadas na região amazônica, entre elas a reserva de Maracatiara, no município de Machadinho do Oeste, centro-oeste de Rondônia, de onde vieram também os conceitos sócio-ambientais de todo o processo de produção.

 

Donos de um seringal em Magda, os paulistas Antonio Higino Ferreira e Tony Regis Ferreira viajaram até o norte do Brasil e firmaram uma parceria com os seringueiros locais em troca do compromisso de trabalhar pela melhoria do comércio e da rentabilidade da extração do material.

 

O início da produção paulista não demorou. Mas foi depois da união com o advogado Jaime Marques Rodrigues e o empresário Oswaldo Barbosa, com a fundação da Ecológica, que o processo tomou ares industriais. A empresa conseguiu agregar tecnologia e viabilidade comercial ao produto. "Juntamos a técnica artesanal transmitida de geração a geração entre os nativos seringueiros, a excelência genética atingida pelos seringais paulistas e a alta tecnologia industrial disponível", explica Rodrigues. A fase de implantação da indústria teve o envolvimento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e do Sebrae através do Projeto Prumo. "Isso trouxe apoio tecnológico para o desenvolvimento e aprimoramento da manta vegetal no processo industrial", diz.

 

O laminado vegetal sai da fábrica em bobinas contínuas de 25 metros lineares e 1,3 metros de largura. É apresentado em várias gramaturas (espessuras), cores e texturas. Pode ser usado no revestimento de cadeiras, poltronas, sofás, bancos de automóveis, além da fabricação de calçados e vestuário. Atualmente a ecológica produz cerca de 25 mil metros do produto a cada mês. "O processo industrial desenvolvido pela ecológica mantém a característica natural do produto artesanal, agregando tecnologia e viabilidade comercial e respeitando as características exclusivas do tecido", define Rodrigues.

 

Para o diretor da Ecológica, com a preocupação ambiental e sustentável crescente nos países de vanguarda o uso do tecido em látex natural tende a ganhar espaço mundial. "Com a globalização da economia, a dinâmica comercial obriga o setor privado a buscar diferencial na qualidade humana e na sustentabilidade, atendendo as necessidades das gerações atuais sem comprometer as gerações futuras, fomentando o uso racional de recursos naturais, reciclados, renováveis, valorizando a ética e a cidadania", finaliza.

 

Publicado em 23.7.2010 às14h01

 
 

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