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Acre com a bola toda
Parceria entre governo estadual e indústria vai produzir bola
a partir do látex e transformar a vida de centenas de famílias
que dependem do extrativismo vegetal
Em tempos de Brasil como
sede da Copa do Mundo uma bola 100% brasileira, feita a partir
de materiais renováveis e que não agridem o meio-ambiente,
promete ser um chamativo marketing para o estado do Acre, além
de fomentar o emprego e dar novo ímpeto ao extrativismo do
látex. Uma parceria entre a Ecológica Indústria e Comércio de
Produtos de Látex Ltda, de Magda (SP), e o Governo do Acre
permitirá a produção de uma bola totalmente ecológica a partir
do chamado laminado vegetal, produto brasileiro que não deixa
resíduos no processo de produção e que pode ser usado, além da
composição da chamada bola ecológica, no revestimento de
cadeiras, poltronas, sofás, bancos de automóveis, calçados e
vestuário. Essa novidade mercadológica, que utiliza conceitos
conhecidos há muitos anos por seringueiros do norte do país, é
produzida em escala industrial pela Ecológica. "A bola
ecológica é um produto genuinamente brasileiro, não só por sua
concepção, mas também pelos materiais naturais que emprega",
afirma Jaime Marques Rodrigues, diretor da Ecológica, empresa
criadora da bola.
A produção da bola faz parte de um projeto de ressocialização,
denominado Pintando a Liberdade, implantado no Presídio Dr.
Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco, capital do estado.
Outro projeto, chamado Pintando a Cidadania, pode levar a bola
para a cidade de Xapuri. Segundo dados da Secretaria de
Esportes, Turismo e Lazer, mais de 700 famílias se
beneficiariam com a extração do látex e 320 empregos diretos
seriam criados apenas com a confecção da bola.
Segundo Jaime Rodrigues, a bola vegetal tem por objetivo
principal apresentar e demonstrar a viabilidade comercial das
bolas esportivas ecológicas, estimular a demanda na extração
de látex cultivado em plantios existentes na região noroeste
do Estado de São Paulo e no Acre, garantindo o reflorestamento
comercial, geração de empregos diretos no meio rural e geração
de empregos indiretos ligados à cadeia produtiva do látex
cultivado, além de viabilizar a fixação do homem na floresta
e, consequentemente, a conservação da mata nativa da região
Amazônica.
A bola esportiva, para voleibol e futebol, possui o tamanho
oficial e é composta por látex natural, matrizada, pesando de
260 a 280 gramas com 65 a 67 centímetros de circunferência. O
interior é composto por uma câmara de látex e miolo removível
e lubrificado. "A produção segue os padrões determinados pelas
Federações Estaduais, Confederação Brasileira e Federação
Internacional de Voleibol", explica Rodrigues. Em contato com
a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o empresário
afirma que em breve a bola poderá rolar oficialmente nos
campos. "Quem sabe até na Copa do Mundo no Brasil, em 2014",
espera.
Para o diretor da Ecológica, com a preocupação ambiental e
sustentável crescente nos países de vanguarda o uso do
laminado vegetal tende a ganhar espaço mundial também no ramo
esportivo. "Com a globalização da economia, a dinâmica
comercial obriga o setor privado a buscar diferencial na
qualidade humana e na sustentabilidade, atendendo às
necessidades das gerações atuais sem comprometer as gerações
futuras, fomentando o uso racional de recursos naturais,
reciclados, renováveis, valorizando a ética e a cidadania",
diz. Ainda de acordo com Rodrigues, escolas e clubes e a
própria imagem do Brasil nas lentes que cobrirão a Copa de
2014 podem sair ganhando. "Fomentar o esporte usando uma
tecnologia brasileira e totalmente natural, que não depende de
recursos não-renováveis, está em consonância com o que se
espera de governos preocupados com a questão ambiental e
social”, finaliza.
O começo
A inspiração do produto veio da tradição artesanal
desenvolvida pelos seringueiros do Acre e que já tem mais de
130 anos. Essa tradição é mantida até hoje em várias reservas
florestais localizadas na região amazônica, entre elas a
reserva de Maracatiara, no município de Machadinho do Oeste,
centro-oeste de Rondônia, de onde vieram também os conceitos
sócio-ambientais de todo o processo de produção.
Donos de um seringal em Magda, os paulistas Antonio Higino
Ferreira e Tony Regis Ferreira viajaram até o norte do Brasil
e firmaram uma parceria com os seringueiros locais em troca do
compromisso de trabalhar pela melhoria do comércio e da
rentabilidade da extração do material.
O início da produção paulista não demorou. Mas foi depois da
união com o advogado Jaime Marques Rodrigues e o empresário
Oswaldo Barbosa, com a fundação da Ecológica, que o processo
tomou ares industriais. A empresa conseguiu agregar tecnologia
e viabilidade comercial ao produto. "Juntamos a técnica
artesanal transmitida de geração a geração entre os nativos
seringueiros, a excelência genética atingida pelos seringais
paulistas e a alta tecnologia industrial disponível", explica
Rodrigues. A fase de implantação da indústria teve o
envolvimento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São
Paulo e do Sebrae através do Projeto Prumo. "Isso trouxe apoio
tecnológico para o desenvolvimento e aprimoramento da manta
vegetal no processo industrial", finaliza.
Notícia publicada em
26.02.2010 às 13h29
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