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Soquímica é destaque na revista PEGN

A edição desse mês da revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios, da Editora Globo, destacou o pioneirismo do setor de saúde de São José do Rio Preto. Uma das empresas focadas na matéria foi a Soquímica, uma das únicas distribuidoras de medicamentos a manter plantão de entrega 24 horas. A matéria pode ser lida na íntegra abaixo:

Saúde de primeira
Distante 450 km de São Paulo, São José do Rio Preto é o coração da indústria médica brasileira. Saiba como o polo de 630 empresas virou referência internacional


Ninguém discute: em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, boi nelore com um ano e meio (no mínimo), peso bom, lombo comprido e carne de pouca gordura é zebu de médico. Isso mesmo. Com precisão cirúrgica, profissionais de jaleco cinza trabalham no abatedouro para extrair do bicho o pericárdio, a membrana grossa que envolve e protege o coração. É a partir desse precioso material que desde o fim da década de 70 a Braile Biomédica, empresa criada pelo cirurgião cardiovascular Domingo Braile, produz as válvulas cardíacas biológicas de pericárdio bovino, exportadas para mais de 20 países. A prótese foi criada para atender os pacientes de baixa renda, segurados da Previdência, que não tinham condições de pagar US$ 3.700 por uma válvula importada. A nacional, com preço equivalente a US$ 250, foi o primeiro produto da Braile e ainda hoje, mais de 30 anos depois, é o carro-chefe de um catálogo com mais de 200 itens, desde soluções químicas para parada e proteção do coração durante a cirurgia até equipamentos de suporte e monitoramento de alta precisão.

Para assegurar o pioneirismo e a tecnologia de ponta de suas linhas, a empresa conta com um polo de pesquisa científica formado pelo Centro Cirúrgico Experimental, pelo Laboratório Experimental e um Departamento de Pesquisas e Publicações que desenvolve trabalhos científicos da própria Braile e de parceiros, como instituições de ensino e de pesquisa avançada. “Dos nossos 420 funcionários, 40% têm nível superior, com uma média de estudo de 12,5 anos, bem acima da realidade nacional de 4,5 anos de estudo por cidadão. Em três décadas, acumulamos 30 patentes”, diz Patrícia Braile Verdi, 45 anos, presidente da Braile e segunda geração da família no comando da empresa. Com o lançamento de cerca de dois produtos por ano, sempre com alto valor agregado, a Braile espera faturar R$ 45 milhões em 2009.

“A Braile é uma referência internacional na área médica e também o embrião da transformação da cidade de São José do Rio Preto em um polo de negócios ligados à saúde”, afirma Orlando Bolçone, secretário municipal de Planejamento. “Foi em torno da Braile Biomédica e do Instituto de Moléstias Cardiovasculares que as coisas foram acontecendo.”

Hoje funcionam na cidade 630 empresas ligadas à saúde — uma para cada 634 habitantes. São mais de 1.600 leitos e cerca de 1.400 médicos, que atendem não só os 420 mil habitantes do município, mas boa parte da população da região, num total de 1,5 milhão de pessoas, em um raio de mais de 100 municípios. Em 2010, entrará em operação a primeira fase do Parque Tecnológico de São José do Rio Preto. A meta é ser o principal centro de alta tecnologia do país voltado para a área biomédica, de tratamento e produto. De acordo com o secretário, o parque, que funcionará em uma gleba de 250 alqueires, o equivalente a 6 milhões de metros quadrados, no trecho urbano da rodovia Washington Luís, já conta com 12 empresas parceiras, das cerca de 50 que deverá reunir até 2020. “No total serão investidos R$ 20 milhões entre infraestrutura e subsídios às empresas, que terão financiamento e isenção de quatro anos de IPTU”, diz Bolçone.

De acordo com a consultora Miriam Zitz, gerente de atendimento à indústria do Sebrae Nacional, existem cerca de 900 arranjos produtivos locais, espalhados pelo Brasil, de artesanato à alta tecnologia. “Todos têm em comum o fato de haver nascido de forma espontânea, seja pela concentração de conhecimento produzido pelas universidades, pela localização geográfica, abundância de matéria-prima ou por demanda de uma empresa referência, a exemplo de Rio Preto”, afirma. “São áreas onde o conhecimento transborda, as informações circulam e a oferta de mão de obra especializada é farta.”

O empresário Ricardo Souza Benez, 42 anos, sócio da RB Equipamentos Eletrônicos, confirma na prática o que dizem os teóricos. É do contato estreito com os médicos e da circulação livre pelas áreas da saúde que ele recolhe informações para desenvolver suas linhas de produtos. Foi assim há 13 anos, quando lançou o videocolposcópio com fonte de luz; em 2004, quando criou a bomba portátil de circulação extracorpórea usada em cirurgias; e com o aparelho para drenagem linfática de membros superiores e inferiores. “Hoje, já temos 5 mil produtos instalados em toda a região, a maioria concebida praticamente sob medida para as necessidades dos profissionais da saúde”, diz o empreendedor. “Trabalhar em parceria com os médicos e hospitais elimina etapas de produção e garante demanda.”

Outra parceria pródiga nos polos tecnológicos é com as universidades. Em Rio Preto, são raras as empresas que não contam com pelo menos um produto nascido no meio acadêmico ou com profissionais de alto nível nos seus quadros de pesquisadores. A Bionatus Laboratório Botânico, uma das cinco maiores indústrias especializadas na fabricação e distribuição de fitoterápicos, e a única no interior de São Paulo, faz dessa ligação um dos pilares de seu desenvolvimento científico. “Do trabalho conjunto com a Unicamp e a Unesp nasceu boa parte das fórmulas de nossa linha de alimentos funcionais”, diz o sócio Elzo Velani, 56 anos. Com uma produção de 300 mil unidades por mês, 23 distribuidores no Brasil e 15 mil pontos de venda, a Bionatus tem no portfólio 80 produtos. “Esse é um segmento concorrido, que representa apenas 2,8% do mercado fármaco brasileiro. Temos muito para crescer, sobretudo agora, que os fitoterápicos serão distribuídos pelo SUS. Fabricamos 40 produtos dos 70 possíveis de serem trabalhados”, afirma Velani. “Com a novidade, o faturamento, que neste ano será de R$ 15 milhões, deverá engordar entre 30% e 40% em 2010.”

Paralelamente ao alto desenvolvimento científico fomentado pelas universidades e centros de pesquisa da região, São José do Rio Preto tem como pontos favoráveis a localização geográfica e a boa estrutura logística. “Estar distante mais de 400 quilômetros da capital paulista levou e economia local a crescer em várias áreas, principalmente na infraestrutura”, afirma o secretário Bolçone. Estradas bem pavimentadas ligam a região ao norte e ao sul do país. A cidade tem um porto seco, aeroporto para aeronaves de grande porte e conta com transportadoras aprovadas pela Anvisa, especializadas no transporte de insumos e produtos da área da saúde.

“Por contar com essa retaguarda, conseguimos atender mais de 1.700 clientes em todo o Brasil sem precisar ter um centro de apoio em São Paulo”, afirma Anna Carolina Vilela, 29 anos, segunda geração no comando da distribuidora Sóquímica, há 20 anos no mercado. Para entregar mais de 3 mil itens, entre medicamentos e produtos químicos, farmacêuticos, hospitalares e odontológicos, a empresa dispõe de câmaras frias, sala específica para psicotrópicos, galpão de armazenamento com 2.700 metros quadrados e uma frota própria de caminhões climatizados, além de motoristas para entregas rápidas e parceria com transportadoras terceirizadas. “Somos uma das únicas distribuidoras a manter plantão de entrega 24 horas, porque as necessidades na saúde não têm hora certa para acontecer”, afirma a empresária. “Foi respeitando esse conceito que nos tornamos uma das três maiores distribuidoras de medicamentos do país, sem sair de Rio Preto.”

Notícia publicada em 21.10.2009 às 08h55

 
 

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