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Tecnologia brasileira e sustentável na Europa
Empresa brasileira leva a Paris um revestimento feito a partir do látex, renovável e de variada utilização

Uma das mais importantes feiras européias para o setor de couro, pele, acessórios, componentes e vestuário, a Le Cuir à Paris, - de 15 a 18 de setembro - receberá em sua edição desse ano a Ecológica, empresa do interior paulista que transportou a técnica artesanal do tecideo em látex para a escala industrial. "O tecido em látex natural tem sua origem nos seringais amazônicos e sua industrialização, além de favorecer os seringueiros locais, só foi possível graças a um parceria entre empresários paulistas e a comunidade do Acre", afirma o empresário Jaime Marques Rodrigues, diretor da Ecológica.

A Le Cuir à Paris, (http://lecuiraparis.com/) primeiro evento da temporada, apresentará as últimas tendências para a coleção outono/inverno 2010-2011. Mais de 300 expositores são esperados a partir de 15 de setembro no Parc des Expositions de Paris Nord Villepinte, em Paris.

O produto
Além de bem acabado, o tecido em látex natural está dentro das expectativas dos ecologistas e do mercado - por isso a importância de divulgá-lo em uma feira das mais importantes do mundo. Pode ser utilizado em qualquer segmento da indústria, como da moda - bolsas, sapatos, casacos - e na indústria do esporte com bolas de futebol, voleibol, chuteiras, tênis. "Na indústria moveleira, por exemplo, os revestimentos com o tecido ultrapassam uma tendência e devem seguir um padrão de qualidade em produtos ecologicamente corretos, como já aconteceu com a madeira certificada", lembra o empresário.

A empresa está intimamente ligada à Amazônia e aos seringueiros extrativistas. A inspiração do produto veio da tradição artesanal desenvolvida pelos seringueiros do Acre e que já tem mais de 130 anos. Essa tradição é mantida até hoje em várias reservas florestais localizadas na região amazônica, entre elas a reserva de Maracatiara, no município de Machadinho do Oeste, centro-oeste de Rondônia, de onde vieram também os conceitos sócio-ambientais de todo o processo de produção.

Donos de um seringal em Magda, interior de São Paulo, os paulistas Antonio Higino Ferreira e Tony Regis Ferreira viajaram até o norte do Brasil e firmaram uma parceria com os seringueiros locais em troca do compromisso de trabalhar pela melhoria do comércio e da rentabilidade da extração do material. A empresa conseguiu agregar tecnologia e viabilidade comercial ao produto. "Juntamos a técnica artesanal transmitida de geração a geração entre os nativos seringueiros, a excelência genética atingida pelos seringais paulistas e a alta tecnologia industrial disponível", explica Rodrigues. A fase de implantação da indústria teve o envolvimento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e do Sebrae através do Projeto Prumo. "Isso trouxe apoio tecnológico para o desenvolvimento e aprimoramento do tecido em látex natural no processo industrial", diz.

Para Jaime, é cada vez mais importante oferecer opções que atendam aos conceitos de modernidade e sustentabilidade. O tecido em látex é um exemplo de sucesso: absolutamente natural, produzido a partir de matéria-prima vegetal renovável e isento de resíduos em todo o processo de produção, ele também possui uma interface social, já que a produção engloba a participação de comunidades extrativistas. "É possível atender a mercados internacionais sem abrir mão do conceito ecológico. Inclusive essa preocupação com o meio-ambiente é fator determinante em países de vanguarda", finaliza.

Publicado em 03.09.2009 às 16h38

 
 

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